Porque Feminismos?
Feminismos sim, no plural, porque precisamos lembrar que existem vários feminismos. Cada qual busca atender pautas de grupos de mulheres específicos e se solidarizando em pautas comuns. Os feminismos estão em alta e de novo na mídia. Isso traz muita gente que não atua pelo feminismo, se achando feminista, mas não estudando nem pesquisando o histórico de lutas das mulheres. Infelizmente muitas vezes mulheres que se dizem feministas utilizam de discursos que denigrem e degradam a imagem do homem. Isso não é feminismo.
Ondas do Feminismo
Quando pesquisamos sobre o feminismo é muito comum nos depararmos com citações como "feminismo de primeira onda" ou feminismo de segunda onda". Mas o que significa isso? Uma onda feminista corresponde a um momento histórico relevante de ação militante e acadêmica onde determinadas pautas e questões das mulheres se destacaram e dominaram o debate. O principal das ondas é que a partir delas "o comportamento transforma-se" e a sociedade muda. A divisão em ondas foi feita para fins didáticos.
Primeira onda
A primeira onda do feminismo na história tem início na Revolução Francesa, no final do século XVIII. O estado moderno que surgiu naquele episódio não considerou a mulher como uma cidadã ativa e manteve a posição de subordinação feminina. Como resposta a isso, Olympe de Gouges escreve a Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã, o primeiro documento que realmente afirmou os direitos da mulher.
Na sociedade do século XIX, na virada do século chega da era industrial, urbana, positivista, cientificista, acadêmica, política e economicamente liberal. Foi no século XIX que vimos nascer o socialismo, o questionamento da ideia de lucro a todo custo, a luta por direitos dos operários, a luta por participação política, mas nada disso, naturalmente, incluiu as mulheres.
A Primeira Onda do movimento feminista foi marcada pelas sufragistas “Suffragettes”, em que as primeiras feministas em 1913 surgiram em manifestações na Inglaterra. O direito ao voto era a principal reivindicação do movimento e só foi conquistado em 1918.
Segunda Onda
Segunda onda do feminismo se refere a um período da atividade feminista que teria começado no início da década de 1960 com duração até o fim da década de 1980. Costumamos caracterizar a segunda onda como a fase da luta pelos direitos reprodutivos e das discussões acerca da sexualidade.
Nessa onda começa a distinção entre sexo e gênero, sendo que aquele passa a ser entendido como uma característica biológica; e este, como uma construção social, um conjunto de características e de papéis impostos a pessoa dependendo de seu sexo.
A Segunda Onda foi marcada pela luta contra as desigualdades sociais e culturais. A principal essência era a luta pela liberdade, pelo direito à própria vida e corpo. Foi quando surgiu a pílula anticoncepcional, discussões em torno da submissão da mulher surgiram com força e em que a heterossexualidade foi confrontada como norma e condição sexual feminina, já que o ‘ser mulher’ estava restrito aos papéis de mãe e esposa.
Terceira onda
Começou no início da década de 1990, como respostas às supostas falhas da segunda onda. O feminismo da terceira onda visa desafiar ou evitar definições essencialistas da feminilidade feitas pela segunda onda que colocaria mais ênfase nas experiências de apenas um grupo de mulheres, as branca de classe média-alta.
A Terceira Onda pode ser compreendida como uma continuação de lutas anteriores, importantes questões eram reverberadas por feministas jovens como: aborto, violência, corpo e adoção e liberdade. Essas militantes também queriam mostrar que a mulher poderia usar salto alto, decotes, batom, sendo ao mesmo tempo feminina e forte. A beleza feminina se impôs contra a objetificação. Este movimento buscava ir além dos estereótipos e contra a rotulação baseada na oposição Homem X Mulher, que era considerada uma construção artificial que poderia perpetuar o poder masculino.
Quarta Onda
Apesar de muitas manifestações feministas na atualidade, as pesquisadoras e os movimento de mulheres não entraram em consenso para dizer se estamos ou não em uma nova onda do feminismo. Algumas dizem que sim, justificando sua resposta com o advento da internet. Há pesquisadores que dizem que não, porque apesar de ampla divulgação do feminismo não há mudança de comportamento social considerável e que temos reverberações de outras ondas, como o direito ao voto, a pílula anticoncepcional etc
Quarta Onda
Apesar de muitas manifestações feministas na atualidade, as pesquisadoras e os movimento de mulheres não entraram em consenso para dizer se estamos ou não em uma nova onda do feminismo. Algumas dizem que sim, justificando sua resposta com o advento da internet. Há pesquisadores que dizem que não, porque apesar de ampla divulgação do feminismo não há mudança de comportamento social considerável e que temos reverberações de outras ondas, como o direito ao voto, a pílula anticoncepcional etc
Referência: GARCIA, Carla Cristina. Breve História do Feminismo. Claridade. 3 ed. São Paulo, 2015.

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